A 10 andares do chão!

A 10 andares do chão!

Eram 09:45 de um domingo nublado, não haviam muitos carros passando em frente ao prédio onde eu morava, algumas pessoas caminhavam ao outro lado da rua, onde se encontrava um café, alguns alegres e outros de ressaca por ter passado um maravilhoso sábado. E eu, estava ali, olhando tudo, sob 10 andares do chão. De pé sobre a sacada, me senti por alguns momento a maior pessoa do mundo, eu estava errada, pois ao me lado via um prédio de 23 andares, o meu era pequeno de mais perto dele, com suas paredes cor de céu, azul, parecia tão feliz, todo cheio de vida, e o meu todo cinza, afinal o dono não tinha como pagar pela pintura, eu não queria morar ali, porem era o mais barato. 

Olhei no relógio já era 10:03, o café estava fechando quando dois carros de chocaram na avenida, eu não me assustei, um tinha cor de sangue, vermelho e o outro cor de sorvete, sorvete de creme… não tinha por que entrar em pânico, não foi grave, e eu não me mexi. 

Se passaram mais alguns minutos, o tempo estava correndo, 10:17, eu ainda estava na sacada, estava cansada de todos me dizendo o que fazer, eu acho que sabia me cuidar, tinha 19 anos, e há 2 morava sozinha, mas achei que não precisava de ninguém, e mais uma vez eu estava errada, eu precisava, era inverno e eu estava com poucos cobertores, o café, aquele meu companheiro de mesa me deixou a algum tempo, ninguém me aquecia a não ser que participasse da fogueira do prédio, eles faziam uma vez na semana, você se aquecia depois ficava resfriado, minha resposta era sempre não, “hoje não posso“, “hoje tenho que estudar“, “não dá, quem sabe na semana que vem“, eu preferia minhas cobertas velhas ao ter que me misturar com tal povinho. E se eu tivesse um companheiro de verdade? Desse que te abraçam quando você esta com frio sabe, desses que te apertam até você se sentir segura, que te dão beijos quentes e dormem ao seu lado? Acho que não estaria na sacada. 

Como eu já disse, as horas corriam, o relógio marcava 10:36 e o me coração não fazia mais o mesmo som, eu não sentia mais minhas pernas, nem meus braços, parecia que algo me pegava no colo, enquanto uma voz sussurrava eu meus ouvidos – não faça isso – e eu não queria ordens, pois esse era um dos motivos por eu estar ali a 10 andares do chão. Sabe aquela sensação de arrependimento? Ela não existia em mim. Se passaram mais 16 minutos e  a cada olhada no relógio eu parecia mais disposta a partir. Eu tinha mais um minuto, e nesse minuto todo o meu passado passou por meus olhos, minha infância, minha adolescência, tudo de ruim e de feliz, meus amigos estavam presentes no passado, minha família, e eu ali, sozinha, a 10 andares do chão, olhei para baixo e antes de pular percebi que não havia mais um jardim florido, nem os vasos estavam com flores, eles estava mortas e a cor cinza cobria o chão de escuridão, e eu cai lentamente, com os olhos fechados, eu estava voando por alguns minutos, tudo estava distante e meu coração havia parado.

Lethicia. Beijos 

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