Saudade é não saber.

Dói tanto que ás vezes parece que eu quero rasgar, em mil pedaços, e simplesmente esquecer tudo. Mas dessa vez eu tô fazendo diferente. Eu preciso disso! Já ouviu que a gente só consegue ser livre depois de perder tudo, pois aí não há mais no que se agarrar, não há mais nenhuma ilusão que te conforte, nem uma mão amiga pra te afagar? Pois agora eu prefiro o vázio do que mãos amigas. Pois o vázio é verdadeiro, e aqueles que te consolam e dizem palavras do tipo “Para sempre” SÓ TE FERRAM. Hipócrita, a vida não gosta de mim. E depois de tanto tempo que eu fiquei parada, vou realmente ter que esquecer. É podre dizer tudo isso, mas só estou fazendo jus ao título desse desabafo, afinal, se vamos afundar, que seja dançando. Eu vou sair, dançar, e fazer o que tiver que seja pra viver a minha vida. Sabe aquilo de compensar o tempo perdido? Falei com minha consciência e ela disse que já estava na hora de acordar… E bom, acordei. Porque eu tenho esse convívio de mim para comigo mesma, sempre. E acho que as pessoas deveriam se encontrar ao invés de estarem sempre procurando no outro aquilo que não encontram em si mesmas – diga-se de passagem, que nunca vão encontrar -, porque relatividade tamanha nos humanos é uma dádiva, ou não. O mundo dá voltas e nessas voltas não existem acasos, só casos mal resolvidos de amores inacabados.

Sem desfecho. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando. Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer. 

(Martha Medeiros)

Lethicia. Beijos

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